Náufragos Eternos // Eternal Shipwrecks
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2013
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Cimento, madeira, pano cru e fio do norte
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Da Série Existências Extraviadas
Mil barcos permanecem aqui naufragados como que suspensos numa existência embargada pelo espaço e tempo em que caiu. Embarcações que se viram desviadas do seu curso por meio de sinistros maiores e que agora perduram num limbo aquático, num cemitério infinito de navios que subsiste submerso numa atmosfera paralela à nossa. Sem concepção da impossibilidade do seu resgate e retorno à tona que divide os dois mundos, os eternos náufragos esperam pacientemente pela sua resolução, e perduram para sempre na inconsciência da sua eternidade destinada ao esquecimento.
Estas Existências Extraviadas compreendem em si a ideia de que um corpo naufragado define uma morte suspensa no tempo, na existência e no esquecimento. A presença de um corpo infinito que perdura só, numa atmosfera profunda, perdido na hidrosfera absoluta que o compreende, condenado a uma eternidade estática deixada ao esquecimento. A morte compõe não o fim, mas antes o inicio de uma existência pendente, desvinculada do seu acontecimento pela distancia que a afunda até á sua coordenada final. Submerso em escuridão e silencio, permanece ali depositado, sem finalidade ou finamento, sem consciência ou compreensão, numa existência privada de resolução, unicamente infinita.
Agradecimentos especiais a Cláudia Melo, André Covas, Isabel Trabulo, João Abreu, Reis Valdrez, Jorge Lourenço, Miguel Lomba, João Estelita, Mário Calixto, Joana Goma, João Espírito Santo e à equipa de voluntariado da Fundação da Juventude.